domingo, 17 de abril de 2016

Era uma vez...

... um blog chamado Ideia Sem Acento (originalidade no ápice, reparem). Nasceu em 2008, após o boom dos blogs, que aconteceu entre 2006-2008. Na onda do momento, seu dono, um tal de Tiêgo (com T mesmo, como costuma dizer), baseou-se em um monte de meninas e meninos, blogueiras e blogueiros muito legais, que faziam parte do Tudo de Blog (TDB), uma seção da revista Capricho na qual eles escreviam sobre diversos assuntos. Tiêgo criou o Ideia Sem Acento tentou a seleção do TDB em 2008 e não conseguiu entrar. Tentou a seleção novamente em 2009 e também não conseguiu entrar. Frustrado, decidiu mudar de ares. Em 2009 mesmo, desativou o Ideia Sem Acento e após uma aula de redação (e de uma hora na lan house, vale ressaltar porque computador em casa só soube o que era mesmo em 2010), criou o Opinião Formada (que de formada não tinha absolutamente nada). Foi ali que decidiu que não precisava de um projeto ou de quaisquer outras coisas que fossem para que se sentisse à vontade para blogar. Foi quando decidiu blogar de acordo com a própria vontade e, assim, assumindo sua própria identidade. Após esse estalo, Tiêgo descobriu que Opinião Formada ainda não era o nome ideal para o seu canto na internet. Ainda faltava alguma coisa. Até que pá, outro estalo. Viu o termo "pseudociência" em uma aula de história na escola e o amor foi imediato. Aqui seria a minha falsa ciência, baseada em seu pensamento, sem métodos, sem objetivos, sem nada disso. Apenas seu saber empírico diante de tudo na vida. O batizado ocorreu em julho de 2009, há exatamente seis anos e nove meses atrás. A Pseudociência surgiu e encheu de vida seu orgulhoso dono, que cada vez mais sentia sede de escrever, e escrever e escrever. Participou de diversos projetos de incentivo à escrita na blogosfera e ganhou alguns deles, a exemplo do famigerado Blorkutando (inclusive o link marcado na palavra Blorkutando redireciona para sua última participação no projeto, falando sobre, olha que coincidência, despedidas). Tiêgo aprendeu a amar sua Pseudociência como quem ama um filho, apesar de não ter (nem querer ter) ideia do que é ser pai. Tiêgo aprendeu a escrever da sua forma, da sua maneira, sem precisar fingir ser alguém que não é. Tiêgo aprendeu a escrever com o A Pseudociência. Graças ao blog, sem dúvidas, não teria passado no vestibular das duas universidades públicas de seu estado, Amapá, tampouco teria tanta certeza de que Letras é o curso de sua vida. Foram anos e anos de dedicação a este lugar que lhe trouxe tantos amigos, tantas alegrias, tantos sorrisos ao ler os comentários, tantas portas abertas...
Porém, Tiêgo descobriu, após estes quase sete anos, que existem momentos e momentos na vida. Existem momentos que ficam cristalizados na memória (ou mesmo em posts em um blog). Momentos estes que acontecem e passam. E que, por uma razão ou outra, acabam não condizendo com a atual realidade do vivenciador destes momentos. Talvez seja por isso que, em 2016, Tiêgo tenha decidido mudar seus ares mais uma vez, assim como foi na troca do Ideia Sem Acento para o Opinião Formada, assim como foi na troca do Opinião Formada para o A Pseudociência. É hora de alçar voos novos, conhecer lugares novos, vivenciar experiências novas e, acima de tudo, escrever. Escrever sobre ambientes novos, conhecimentos novos, realidades novas. Hoje, Tiêgo é outra pessoa, diferente do adolescente que manteve o A Pseudociência por anos. Esse rapaz, que hoje já é um homem completo, criou responsabilidades, pensa no futuro e tem outros ideais em mente. É esse homem que vai começar uma nova página de sua vida daqui a alguns dias, quando finalizar seu primeiro curso de graduação e encarar uma nova etapa, um novo desafio.
Com tudo isso, resta ao Tiêgo agradecer. Agradecer de verdade por cada post, cada texto, cada comentário que este blog hospedou. Graças a ele, Tiêgo descobriu que a vida tem muito mais graça quando se eternizam histórias em palavras. E por isso, pretente continuar com estas "eternizações" em outro lugar, que já tem endereço: www.medium.com/@tiego. Ainda não começou suas atividades por lá, mas em breve iniciará esse novo momento, que deve ser eternizado assim como fez durante todos estes anos no A Pseudociência.
Tiêgo encerra suas atividades por aqui com esta imagem, do dia em que se sentiu, mais do que nunca, outra pessoa. Outro ser humano. Outro Tiêgo. 



TCC defendido, final de curso e uma sensação sem igual




Pois é, defendi o TCC!
Não foi nada de difícil, nada de absurdo, nada de muito mirabolante. Foi até legal! Tirei um 9 justo levando em consideração meus erros na monografia, mas é aquele ditado, eu fui aprovado então já tá maravilhoso mesmo assim. hahahaha

Com a banca

Com a minha orientadora maravilhosa <3 td="">
E gente, foi uma das experiências mais loucas da minha vida passar por uma graduação. Cresci tanto, aprendi tanto e vi que ainda tenho tanto o que conhecer da vida... Essa semana basicamente acabaram minhas aulas e já estou sentindo saudades. Tanto que estou pensando em iniciar um novo curso em breve, enquanto não tento as seleções de mestrado... Sim, eu não sossego. hahahahaha

Um pedaço da turma Letras/Francês 2011 (ainda estão faltando alguns bacuris, mas todos estão no meu coração <3 disso="" falta="" sentir="" td="" vou="">
Bem, no mais, estou realizado. De verdade. Essa graduação me custou muitas coisas e, dentre elas, o blog está no meio. No próximo (e último) post detalho melhor, mas decidi escrever meu penúltimo post no A Pseudociência falando desse final da minha graduação pois ele sintetiza bem o final de uma fase importantíssima em minha vida. E égua, finais sempre me deixam meio assim...

domingo, 27 de março de 2016

Vou defender o TCC!

Parece que foi ontem que acordei surpreendido por ligações de todos os cantos dizendo "tu passou! Tu passou no vestibular da UNIFAP!", em um momento no qual eu definitivamente achava que minha vida seguiria um caminho pelo qual, com certeza, seria infeliz. De lá pra cá, foram quase cinco anos de uma graduação que me fez crescer de tal forma que não consigo expressar em palavras tamanha gratidão por esta experiência tão engrandecedora. Apesar de ainda restarem disciplinas teóricas (que em breve se encerrarão), amanhã devo dar um passo adiante, em direção ao meu (primeiro) diploma. Amanhã é a defesa de meu trabalho de conclusão de curso (vulgo terror de todo acadêmico ou TCC) e sabe quando bate aquela sensação assustadora de que você está finalizando um ciclo essencial da sua existência? Se não sabe, deveria passar por isso, porque a sensação assusta, mas é uma das melhores que eu já senti/vivi. Foram anos e anos de lutas, batalhas e guerras que foram, aos poucos, superadas pela vontade de vencer. Amanhã, na ocasião da minha defesa de TCC e com a consequente aproximação do final da graduação em Licenciatura Plena em Letras/Francês, espero consolidar o final desta etapa tão importante em minha vida. Anseio as boas vibrações dos senhores!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Sobre crescer (em diversos sentidos)


Esse ano resolvi fazer diferente.
Todos os anos, eu costumo fazer uma longa retrospectiva com tudo o que me aconteceu. Mas esse ano decidi fazer apenas um balanço do que me aconteceu de bom ou de ruim, até porque já é primeiro de janeiro, confraternização universal, e as vibes de feliz ano novo ainda estão me contagiando (e espero, de verdade, que isso continue assim por muito mais tempo). E colocando na balança os acontecimentos mais marcantes de 2015, acho que tive um ano muito bom. Não, minto, foi além disso. Foi um ano excepcional! Foi um ano para eu não esquecer tão cedo.
2015 me mostrou que a distância é relativa demais. E que ficar esperando demais por algo só me faria corroer por dentro sem necessidade. Comecei a me mexer para ir atrás de tudo aquilo que eu queria de fato. E apesar de não ter conseguido alcançar tudo, tive a prova de que vale a pena demais sair do meu lugar de conforto para alcançar um patamar que parecia distante, mas que estava apenas a alguns passos de mim.
2015 me passou a perna em muitos momentos. Achei que já iria me formar na universidade quando veio mais uma greve. O pesadelo de 2012 estava de volta. Quem me acompanhou por aqui ou pelas minhas redes sociais tanto em 2012 quanto em 2015 viu que eu fiquei extremamente agoniado, pois esse fato me impediu de fazer muitas coisas que eu pretendia ter feito. Mas em compensação, nem tudo foi ruim: ficar parado por cinco meses foi só em termos de ir pra universidade e voltar, pois comecei a fazer pesquisa e a levar a sério a ideia de ir para o mestrado. Atingi uma maturidade em termos acadêmicos que me surpreendeu. Sempre fui "bom" aluno, mas ficar no ócio por tanto tempo me fez correr atrás dos meus estudos sem precisar de ninguém. Além disso, fui sozinho defender um trabalho em Belém, na famigerada Universidade Federal do Pará (ocasião na qual eu também conheci a MARAVILHOSA, linda, fashion, rainha, deusa, gótica suave e musa Jeniffer) e foi tão incrível que antes de acabar o ano repeti o feito na minha universidade, mas falando sobre gênero e diversidade. Realmente, eu me superei. E constatar isso me deixa feliz pra caramba.
E taí uma coisa que 2015 me mostrou que poderia ser diferente e foi: ser feliz.
2015 me deu momentos de lazer que eu jamais imaginei que fosse ter. Eu tinha horror a socializar e ver gente por aí. Preferia um tiro do que mostrar para meio mundo que eu não sabia dançar. Fora que eu não bebia. Até que numa ocasião específica não havia água numa festa na qual fui e aí puff, tive que beber chopp. E nem foi de todo ruim, já que a sede falava mais alto. Daí para frente, só me aprofundei e descobri que saindo casualmente, dá para promover uma diversão digna, bebendo dignamente e se jogando na pista, coisa que fiz até demais. Ah, tomei o primeiro porre da minha vida também em 2015 e isso dificilmente será esquecido por mim - e pelos meus amigos. Da série "coisas ruins que podem se tornar boas".
2015 também me mostrou que eu ainda tenho muito o que aprender em termos de relações sociais. Desfiz amizades, afastei outras, outros se afastaram de mim, mas como há males que vem para o bem, conheci pessoas incríveis e que também me fizeram crescer. Especialmente as pessoas que me ajudaram a enxergar melhor a realidade que me cerca. Até deixo meu agradecimento mais sincero por cada um que me ajudou, direta ou indiretamente, nesse ano. Sozinho, 2015 teria sido uma bomba-relógio, pois o dia-a-dia passou a me estressar de uma forma que nem eu mesmo conseguia acreditar. Sem meus amigos, colegas e família, dificilmente eu suportaria muitas barras pelas quais passei.
E muitas dessas barras, a propósito, eu tive que enfrentar, como a homofobia escancarada. Por isso, em 2015, passei a problematizar (chegou o viciado em problematizar) questões de machismo, homofobia, racismo e muitos outros problemas que estavam visíveis, na palma do meu nariz, e eu não quis enxergar. Comecei a ver tudo por ângulos diferentes. E aprendi demais, mesmo, com os erros e com os acertos. Tanto que transformei em conhecimento científico muito do que vivi nesse ano. De fato, acho que a vida adulta me acertou em cheio.
Seria negligência minha não citar que em 2015 levei dois bailes homéricos de crushes. Tive que ser otário em 2015 só para não perder o costume. Tive uma dificuldade enorme para superar ambos, mas felizmente começo 2016 emocionado pois não tem mais um vestígio da tristeza que ambos me causaram. Cabe aqui, acho, o famoso vida que segue e em 2016 espero que crush seja sinônimo de coisa boa e não mais de imagens de dor e sofrimento na minha cabeça. Aliás, de preferência, que eles nem aconteçam.
E por fim, eu precisava deixar registrado que, raspando a cabeça no batente do box do banheiro e indo à farmácia em seguida, constatei que cresci um centímetro. Não sei mais o que pensar dos meus hormônios, do meu organismo, e do meu corpo que agora tem 1,85m.
Com tudo isso, resta agradecer a 2015 por tanta coisa boa e mesmo pelas ruins, que me possibilitaram crescer, de uma forma ou de outra. Aprendi com erros e com acertos e meu desejo maior para 2016 é que eu siga crescendo (menos pra cima porque nem eu aguento mais crescer), amadurecendo e fazendo de cada dia uma oportunidade para refletir, pensar e agir sobre o mundo que me cerca.

Some of us have to grow up sometimes  
And so if I have to, I'm gonna leave you behind. 
(Paramore - Grow Up)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Obrigado, 2015!

Por enquanto, deixar apenas registrado esse ano que foi MARAVILHOSO na minha vida, apesar de muitas coisas ruins. Obrigado, 2015! Você foi um dos anos mais incríveis de todos!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Melhores álbuns de 2015

Gente, 2015 foi um ano incrível para a música. Particularmente, conheci artistas incríveis e que fizeram os meus dias um pouco mais felizes - ou não, no caso das bads eternas. E seguindo a mesma dinâmica do ano passado, farei a famosa lista com os melhores álbuns de 2015 segundo a minha opinião mesmo. Reforço mais uma vez que foram os discos que me marcaram profundamente em 2015 e que, por isso, mereceram seu lugar de destaque nestas singelas considerações que tecerei. E eu juro que tentei diminuir a lista, mas foi tanta coisa boa que eu precisei compartilhar com vocês esses... 40 (sim) álbuns que deram o nome nesse ano maravilhoso.
Sem mais delongas, nomes aos bois (em ordem decrescente porque sim)!


40 - Ryan Adams - 1989: Quem viu minha retrospectiva musical do ano passado também percebeu que o 1989 da Taylor Swift foi um dos melhores álbuns de 2014. As composições são boas e a sonoridade também é incrível. Mas eis que 2015 chegou e trouxe o Ryan Adams com uma versão incrível de Blank Space e o anúncio de um álbum totalmente folk de versões do álbum homônimo da Taylor. E como se não fosse o suficiente, ficou INCRÍVEL!
DESTACO: Blank Space, Out Of The Woods, Style

39 - Johnny Hooker - Eu vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito!: Em um ano no qual a música nacional se fez mais presente em minha vida, tive a feliz coincidência de assistir um filme incrível (Tatuagem), que conta com a participação do Johnny tanto na atuação quanto na parte musical. Amor Marginal me fisgou logo de cara e assim que saiu o álbum todo, morri de amores! E por favor, sem tretas com esse título porque o Johnny se traduz completamente nele - interessante, ousado, diferente.
DESTACO: Eu vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito!, Amor Marginal, Você Ainda Pensa?

38 - Kehlani - You Should Be Here: Assim, como quem não quer nada, ouvi Kehlani por indicação de uma @ no Twitter e me impressionei com a consistência do trabalho dessa gata. As composições todas são bastante convincentes e a sonoridade é MUITO boa. Inclusive o Grammy reconheceu o talento da Keh (/íntimo) e a indicou na categoria de melhor álbum urban/contemporary (em inglês porque sim). Maravilhosa!
DESTACO: You Should Be Here, The Letter, Bright

37 - RHODES - Wishes: Conheci esse maravilhoso por conta do featuring com a dona na empresa minha bad Birdy e daí pra frente, o amor só aumentou. Wishes provoca reflexões bastante pertinentes sobre o amor e sobre as relações pessoais. Foi surpresa! Gostei bastante!
DESTACO: Close Your Eyes, Breathe, Let It All Go (feat. Birdy)

36 - Lianne La Havas - Blood: Quando soube que a Lili (/íntimo) ia lançar álbum novo em 2015, já fiquei todo me tremendo. Is Your Love Big Enough? foi um marco na minha vida em 2012 e eu já estava em crise de abstinência dessa rainha. Eis que ela lança Blood e eu realmente tive motivos pra ficar todo me tremendo, porque a qualidade só aumentou. Lianne tem uma melodia que me toca de uma forma que não consigo explicar. É rainha. E Blood só veio reforçar todo esse sentimento bom quando a escuto. Digníssima!
DESTACO: What You Don't Do, Wonderful, Midnight (lembrando que o álbum todo é maravilhoso)

35 - Adam Lambert - The Original High: Num ano em que o Adam veio ao Brasil para o Rock In Rio tendo a importante missão de comandar a icônica banda de rock Queen, também tivemos o lançamento do The Original High, trabalho mais consistente do Adam até então. Eu o acompanho desde o famigerado American Idol e de lá pra cá, a evolução dele enquanto artista é notória. Dá pra dizer que, hoje, o Adam se firmou como um dos grandes cantores da contemporaneidade. Merece muito!
DESTACO: The Original High, Rumors (feat. Tove Lo), Evil In The Night

34 - Disclosure - Caracal: Sempre no infalível (deep) house, os irmãos Guy e Howard Lawrence carregam na bagagem o aclamado Settle (de 2013) e a responsabilidade de manter ou superar o nível do antecessor - o que conseguiram com folga, diga-se de passagem, com o Caracal. Featurings históricos compõem o álbum que definitivamente marcou meu 2015.
DESTACO: Magnets (feat. Lorde), Nocturnal (feat. The Weeknd), Omen (feat. Sam Smith) - e eu precisava destacar mais uma: Willing and Able (feat. Kwabs)

33 - Kwabs - Love + War: E falando em Kwabs, o britânico (que eu conheci com o feat. do Disclosure) destruiu carreiras em 2015. Com uma voz grave e marcante, dificilmente se esquece da qualidade da produção musical do rapaz de 25 anos que debuta com o Love + War, trazendo uma coletânea de canções incríveis.
DESTACO: Love and War, Perfect Ruin, Wrong or Right

32 - Foals - What Went Down: De uma sensibilidade sem fim, o rock indie e psicodélico do Foals chegou na minha vida num momento crítico. Lonely Hunter fez a minha bad doer bem menos quando era mesmo tudo o que eu precisava. Seria negligência total da minha parte não colocá-lo nessa lista, mesmo não tendo curtido todas as músicas do álbum. O álbum, como um todo, funciona magnificamente bem.
DESTACO: Lonely Hunter, Albatross, Mountain At My Gates

31 - Miguel - Wildheart: O coração selvagem do Miguel também conquistou o povo do Grammy e foi indicado na mesma categoria da Kehlani. Um álbum sobre dualidades não teria como não ser bom; Miguel versa sobre opostos que, musicalmente falando, unem-se numa sintonia fantástica. As músicas de teor sexual são de uma destruição sem limites. Ao final do álbum, constatamos a firmeza com a qual Miguel conduz o "enredo". Muito bom!
DESTACO: a beautiful exit, the valley, FLESH


30 - Major Lazer - Peace Is The Mission: Quem me conhece sabe que eu tenho o crush da vida no Diplo (a.k.a dono de mim). Aí ele vem e se junta com outros maravilhosos e puff, produz essa coisa linda de viver que foi o Peace is the Mission. Arrisco dizer que Lean On se imortalizou em 2015 e é forte candidato a farofa do ano, de tão bom que é (ainda não enjoei até hoje). Impossível ficar parado. Me tirou das tristezas em diversos momentos! Promoveu a paz dentro de mim, como bem prega a missão do álbum. Maravilhoso!
DESTACO: Lean On (feat. DJ Snake e MØ), Powerful (feat. Ellie Goulding e Tarrus Riley), Too Original (feat. Elliphant e Jovi Rockwell)

29 - Alabama Shakes - Sound & Color: Aclamadíssimo pela crítica e indicado a 30983982393 categorias no Grammy (incluindo álbum do ano), Sound & Color solidifica o trabalho já bastante elogiado do Alabama Shakes. É difícil conseguir concordar com os especialistões, mas dessa vez estou completamente de acordo com eles. Sound & Color é, de fato, uma obra-prima.
DESTACO: Sound & Color, Future People, Over My Head

28 - Jack Ü - Skrillex and Diplo Presents Jack Ü: Aos fãs de trap/eletronic/dance (a.k.a eu), Diplo, Skrillex e companhia nos presentearam com um álbum que reúne o melhor do estilo. As vozes que dão forma às letras do álbum (a.k.a Justin Bieber, Kiesza, 2 Chainz e AlunaGeorge, para citar alguns) são um espetáculo à parte - e chamo o Bieber de espetáculo sim porque ele mostrou que cresceu e ninguém pode negar que Where Are Ü Now foi um dos hinos de 2015 - recebendo, também, indicações ao Grammy. Inclusive estou dançando pela casa enquanto digito esse microtexto.
DESTACO: Febreze (feat. 2 Chainz, To Ü (feat. AlunaGeorge), Where Are Ü Now (feat. Justin Bieber)

27 - Imagine Dragons - Smoke + Mirrors: Lembro que S+M foi lançado em fevereiro, época do carnaval. Enquanto todos pulavam na rua, eu estava em casa pirando com cada música desse álbum. Dan Reynolds e seus fiéis escudeiros continuaram o impecável trabalho iniciado pelo Night Visions com uma reunião de músicas, mais uma vez, sensacionais. Impossível não querer sair pulando pela rua ouvindo I Bet My Life!
DESTACO: I Bet My Life, Shots, Gold, Dream

26 - Fifth Harmony - Reflection: Que atire a primeira pedra quem sequer mexeu a cabeça ou cantarolou ouvindo Worth It! As meninas que saíram daquele reality show (que ninguém lembra mais) vieram pra ficar. Reflection foi um excelente debut para um grupo que, ao meu ver, não prometia tanto fora dos palcos da competição. Paguei pela boca, pois Like Mariah e Them Girls Be Like ficaram na minha cabeça por um bom tempo. Pra gente ver como é bom quebrar a cara, às vezes.
DESTACO: Worth It, Like Mariah, Them Girls Be Like

25 - Sleater-Kinney - No Cities To Love: Outro álbum aclamado pela crítica em 2015 foi o No Cities To Love e eu confesso que não conhecia, mas depois de tanto ouvi falar, ouvi. E o rock impactante da banda americana com um toque denso, agressivo e por vezes enérgico me encheu de inspiração quando eu estava travado de verdade para seguir em frente com meus afazeres diários. Aprovadíssimo!
DESTACO: Price Tag, Hey Darling, No Cities To Love

24 - Björk - Vulnicura: Precisei parar uma hora da minha vida para ouvir o Vulnicura, assim como fiz com todos os álbuns da Björk. E assim que a melodia inicial de Stonemilker ressoou em meus ouvidos, eu já sabia que viria mais um trabalho fantástico da cantora e compositora islandesa. Vulnicura é o tipo de álbum que te toca. Que conversa contigo. E que faz você entender que a música não é um instante, mas um momento eternizado em alguns minutos. Björk rainha!
DESTACO: Stonemilker, Atom Dance (feat. Antony Hegarty), Lionsong

23 - Meghan Trainor - Title: Finalmente lançando o álbum (porque eu já não aguentava mais o EP), Meghan estendeu em mais algumas o maravilhoso trabalho que já havia feito. Letras (inteligentes) que grudam na cabeça, muita ousadia e um carisma que transparece na voz fizeram da Meghan um dos grandes nomes de 2015 e o Title foi um dos álbuns que eu mais ouvi no início do ano. E realizou feitos inacreditáveis para uma artista iniciante, como vender quase 250 mil cópias na primeira semana e debutar em 1° no Hot 200 da Billboard. É, Meghan, se esse não foi o seu ano, imagina o que ainda vem pela frente!
DESTACO: All About That Bass, 3am, Dear Future Husband

22 - Justin Bieber - Purpose: Jamais imaginei que isso fosse acontecer um dia, mas chegou a hora de reconhecer que o Bieber cresceu. Detesto a pessoa dele, mas musicalmente falando, o menino evoluiu em todos os sentidos. Purpose é a prova viva de que um artista se reinventa de forma que a gente consegue até esquecer o problema que ele é longe (ou nem tanto) dos holofotes. Bieber, meu caro, você merece (como artista) a minha consideração.
DESTACO: Sorry, Love Yourself, The Feeling (feat. Halsey)

21 - Little Mix - Get Weird: Aproveitando a fala sobre crescer, as meninas do Little Mix mostraram a sua maturidade musical com o álbum novo. Sem dúvida nenhuma é o melhor trabalho delas até então (e olha que eu amo o DNA e o Salute) e fico MUITO feliz ao perceber que um grupo que acompanho desde que nasceu está no auge da carreira, trazendo ao mundo um álbum incrível como o Get Weird. A nova era das meninas começou - e começou com o pé direito.
DESTACO: Black Magic, Hair, Lightning


20 - Demi Lovato - Confident: Primeiro porque a gata é bonita. E segundo porque ela fecha. Mentira. É porque o Confident é de verdade o melhor álbum da Demi. Em 2015, reparei, diversos dos meus artistas favoritos lançaram álbuns que os mostraram mais maduros comparados aos trabalhos anteriores. Assim como foi com o Bieber e com o Little Mix, a Demi tombou. Fora que o Confident foi lançado perto de acabar a greve na minha universidade e parece que ele foi um dos responsáveis por me dar coragem pra acordar e encarar de frente o que viria pela frente. É aquela velha história do Stay Strong, Demi só que numa roupagem muito melhor. E mais digna, a propósito.
DESTACO: Cool For The Summer, Kingdom Come (feat. Iggy Azalea a.k.a A-DI-DI-UÁ), Father

19 - Selena Gomez - Revival: Claro que eu precisava colocar o Revival nessa lista, já que foi o tiro de 2015. Sim, foi porque eu não imaginava MESMO que a Selena fosse voltar tão destruidora mesmo. Good For You foi lançada e a gente mal conseguia acreditar que aquela menina inocente tinha se transformado numa mulher tão sensual e segura de si como sugerem os versos da canção. Tem quem diga que a Selena é a sucessora natural da Britney - e depois desse álbum, começo a acreditar com força nessa hipótese. Princesa.
DESTACO: Good For You (feat. A$AP Rocky), Me & The Rhythm, Rise

18 - Mika - No Place In Heaven: Novidade pra ninguém que o Mika é o meu cantor favorito, né? Bem, talvez seja e muitos vão me questionar "égua, Tiêgo, porque o Mika não ficou em primeiro nessa lista então se ele é teu cantor preferido?????". Olha, gente, não é porque ele é meu favorito que eu preciso deixar ele sempre num pedestal, né? Ou vocês defendem quem vocês gostam mesmo quando estão errados, por exemplo? Fiz essa pequena introdução só pra dizer que o No Place In Heaven foi uma das melhores coisas que o Mika já fez, mas que ele ainda me parece confuso musicalmente falando. É como se o Mika sólido de Life In Cartoon Motion e The Boy Who Knew Too Much tivesse se desestruturado. Mas isso não é de todo ruim, já que o No Place In Heaven é tão bom quanto o seu antecessor (melhor, inclusive). A faixa-título me fez parar e pensar na minha vida de uma maneira que eu jamais havia feito antes com uma canção dele. A energia do álbum como um todo me contagiou de uma forma única. Apesar de não ter me impactado de cara, é um álbum maravilhoso. E a propósito, this is not a conversation. I'm going to Rio!
DESTACO: Rio, No Place In Heaven, Staring At The Sun

17 - Tiago Iorc - Troco Likes: Esse é o primeiro álbum todo em português do Tiago e talvez por isso eu tenha gostado TANTO dele. As letras estão sensíveis de uma tal forma que não tem como não se identificar. E sempre no estilo que já é característico do Tiago, com o violão como marca registrada. Dei meu like sim, Ti! Sigo de volta!
DESTACO: Coisa Linda, De Todas As Coisas, Alexandria

16 - Of Monsters And Men - Beneath The Skin: Eu costumo ouvir o Beneath The Skin TODAS AS NOITES. O álbum me acalma de um jeito inexplicável. O indie pop da banda islandesa já me era fantástico, depois desse disco então... Ficou o amor eterno. E a alma também, já que as canções nos tocam por inteiro.
DESTACO: Crystals, Wolves Without Teeth, Black Water

15 - The Weeknd - Beauty Behind The Madness: Esse ano foi o ano de concordar com a crítica. The Weeknd figura em tudo que é lista de melhores do ano e não é por menos, gente. Beauty Behind The Madness é MUITO bom. E não foi só a crítica quem aclamou: foi um dos álbuns mais bem-sucedidos comercialmente em 2015. Com versos que marcam, uma melodia que provoca empatia e a voz, ah, a voz singularíssima do cantor montam essa obra espetacular que é o BBTM. Abel Tesfaye, você é incrível.
DESTACO: Can't Feel My Face, Tell Your Friends, The Hills

14 - Marina and the Diamonds - Froot: Sou suspeito pra falar da Marilene porque sou fã dela desde o The Family Jewels. Estava aguardando ansioso pelo Froot e não me decepcionei com o resultado. Mostrando uma Marinete mais frágil, mais aberta a emoções e mais introspectiva, esse foi, pra mim, o trabalho mais intenso da artista (que parece uma praga, não veio pro Lolla quando eu mais queria que ela viesse). Inclusive joguei vários shades nas amigas com Better Than That e fiz várias performances ao som de Blue, mas no caso só a gente entende.
DESTACO: I'm A Ruin, Blue, Better Than That, Forget

13 - Silva - Júpiter: Já gostava do Silva graças ao maravilhoso Vista Pro Mar, mas foi só com Júpiter que meu amor por ele se consolidou de vez. Romântico e um pouco sexual, graças aos céus, Silva traz novos elementos nesse álbum, como o R&B e o eletrônico com muito mais intensidade, em canções que me tranquilizam do início ao fim. Tem quem diga que o Silva é o irmão mais novo do Tiago Iorc. Se é verdade, não sei. Só sei que o meu sonho érotico é um feat. dos dois.
DESTACO: Júpiter, Eu Sempre Quis, Marina

12 - Tame Impala - Currents: Que álbum maravilhoso. Toda vez que escuto, sinto uma vontade incontrolável de viver, gritar, correr, sair abraçando e falando com todo mundo. Sério mesmo. Conheci o Tame Impala com esse hinário e foi amor à primeira escutada! Vou até ouvir, pra ver se crio vontade de viver nesse final de ano.
DESTACO: Let It Happen, Eventually, Past Life

11 - Ellie Goulding - Delirium: CHEGOU A VICIADA EM SER DONA NA EMPRESA MEU CORAÇÃO! Amo demais a Ellie e todo mundo sabe também que ela é a minha cantora favorita. E eu também preciso ser crítico em relação a ela, já que se jogou num pop chicletão porém com muita classe e qualidade. Senti muita falta do indie/dream pop em Delirium, mas é isso mesmo, a gente precisa aceitar que nossos artistas do coração vão se ajustar conforme a indústria. E o público principalmente, já que hoje todo mundo (até minha mãe) canta "love me like you do, lo lo love me like you do..."
DESTACO: Codes (STOP TALKING IN CODES LET ME KNOW WHAT'S UP CAN'T DO IT NO MORE - eu tive que cantar, gente), Lost and Found, I Do What I Love (tapa na cara dos haters)


10 - Years & Years - Communion: Esse hinário me encheu de vida no momento certo. Sofrendo de amores, crise na universidade, preocupado com o rumo da minha vida... Eu precisava ouvir a coisa certa. Communion foi essa coisa certa. O álbum é fantástico do início ao fim e não importa como eu estiver, basta ouvir Desire pra querer sair doido pela rua pregando o amor. Olly Alexander, já fiquei sabendo que você largou o violinista maravilhoso do Clean Bandit. YOU ARE MY KING AND I'M UNDER YOUR CONTROL, SEU LINDO!
DESTACO: Take Shelter, King, Desire

9 - Shamir - Ratchet: Estou rezando para o meu ex-crush ler isso, porque foi graças a ele que eu conheci o Shamir. MELHOR PESSOA, SOCORRO! On The Regular é o hino para todos os momentos. Performei muito ouvindo no ônibus voltando pra casa e indo pra universidade. Obrigado, crush, por ter me apresentado esse maravilhoso e por me mostrar que it doesn't get darker unless you expected too. Agora por gentileza leia este textículo e entenda que you put my head in the clouds. Ok, tentativas fail de conquista com as letras de Ratchet - que foi uma das revelações mais destruidoras do ano pra mim. Ah, e o Shamir curtiu meus tweets falando dele <3 nbsp="" p="">DESTACO: Darker, On The Regular, Demon

8 - Troye Sivan - Blue Neighbourhood: O Troye ano passado figurou na minha lista de EPs dignos de atenção para álbuns em 2015, assim como o Title da Meghan Trainor. E de fato, o menino de 20 anos roubou a atenção. Com um marketing fantástico e lançando um EP que deixou todos nervosos em setembro achando que seria mais um enrolation pro álbum definitivo, Troye Sivan mostrou que é muito mais do que o youtuber fofinho que o mundo conheceu há alguns anos atrás. Dono de canções fortes e bastante íntimas, o cantor e compositor australiano revelou ao mundo um conjunto de canções que funciona tão bem que fica difícil encontrar falhas. Foi um debut que projetou Troye para o mundo - e agora ninguém o segura mais.
DESTACO: Bite, Heaven (feat. Betty Who), Suburbia, for him. (feat. Allday)

7 - Kendrick Lamar - To Pimp A Butterfly: Talvez o álbum mais aclamado de 2015 (recebendo 9872798273982 indicações ao Grammy e nota 96/100 no Metacritic) atenda por To Pimp A Butterfly. Kendrick Lamar conduz um álbum repleto de críticas sociais consistentes e bastante relevantes para a sociedade contemporânea. É o típico álbum que fica marcado na história não apenas pelo seu valor musical e mercadológico já que foi sucesso de vendas, mas principalmente pelo seu apelo social, coisa que anda faltando (e muito) para os artistas que se "atrevem" a cantar a realidade. Foi com o Kendrick que eu passei, de fato, a curtir rap/hip hop olhando por outro viés as proposições desse estilo. Poético. Mágico. Impagável.
DESTACO: Alright, i, u, Hood Politics

6 - Jaloo - #1: JALOO RIMA COM PROPRIETÁRIO NA EMPRESA MEU COOL! Pela primeira vez em muito tempo eu amei um artista nacional a ponto de colocá-lo entre os 10 melhores do ano na minha lista anual. A cada faixa, a gente constata a autenticidade de um artista que não apela para obviedades por vir de uma região que já é iconizada como "a região do brega". O indie pop e o eletropop permeiam toda a produção inclusive nas canções que exaltam o tecnobrega, como Pa Parará. Jaloo mostra que é possível ser vários em um só. O Jaloo que exalta a natureza em Chuva é o mesmo que sofre por amor em Last Dance e que te convida para fazer parte dessa festa em Vem. #1 é um sopro de novidade (no sentido mais puro da palavra) na música brasileira. Ah, e eu posso soletrar pra entendimento melhor? É J-A-L-O-O.
DESTACO: Vem, Chuva, Tanto Faz, Fluxo, Last Dance

5 - Halsey - Badlands: Ela chegou como sugestão no meu Descobertas da Semana no Spotify (inclusive te amo Spotify) e ficou. Halsey e suas badlands mostraram, em letras de conteúdo forte e clipes bastante interessantes, que as novidades em 2015 ainda tinham muito o que mostrarem. Halsey já chega colocando as cartas na mesa e mostrando para que veio. Ainda bem, pois precisamos mesmo de mais artistas com atitude e com a coragem que a Halsey tem de mostrar a cara e defender aquilo que ela gosta, que ela vive e que ela é. Deusa!
DESTACO: New Americana, Roman Holiday, Colors, Control

4 - Florence + The Machine - How Big, How Blue, How Beautiful: É meio redundância chamar a Flo de maravilhosa, incrível, linda, fantástica, espetacular e etc, né? O indie pop/rock da rainha veio com tudo, abrindo os trabalhos de uma era impressionante. Ship To Wreck começa com uma melodia tão enérgica que a gente se pega querendo dançar. O álbum todo é cheio de hinos e eu não esperava menos. Confesso que ainda fiquei preso ao Ceremonials quando ouvi da primeira vez e criei resistência, mas hoje ele tá figurando aqui, no topo da minha lista de melhores do ano. HBHBHB é uma verdadeira obra-prima.
DESTACO: Ship To Wreck, Delilah, Queen of Peace, St. Jude

E agora, hora de conhecer os três álbuns que mais reinaram na minha vida em 2015:

3 - Carly Rae Jepsen - E.MO.TION: Vou confessar pra vocês: eu queria encontrar algum vestígio da Carly de Call Me Maybe em E.MO.TION, mas não encontrei. FELIZMENTE. Esse álbum foi um baque pra toda a sociedade porque ninguém esperava que a mesma Carly que lançou um álbum bem genérico em 2012 pudesse vir tão poderosa. As vibes disco/anos 80 que perpassam a obra me contagiaram TOTALMENTE. As canções tem sentimento, tem vigor e tem sensibilidade, tudo o que um álbum precisa pra me ganhar. E a Carly, por essa superação, mereceu figurar aqui. Pena que as vendas do álbum não reflitam o quão bom ele é (e dizem até que flopou). Mas no meu coração, ele tem um lugarzinho reservado. I really really really really really really like you, E.MO.TION!
DESTACO: Run Away With Me, All That, Boy Problems, Warm Blood

2 - Melanie Martinez - Cry Baby: MELHOR REVELAÇÃO DE 2015 SIM OU ÓBVIO? Ano passado cantei essa pedra mas só pude confirmar mesmo em agosto: Melanie Martinez é uma artista incrível. Em seu Cry Baby, a cantora cria uma narrativa fantástica na qual vemos a evolução da personagem homônima, que vive histórias semelhantes às que a própria Melanie vivenciou. A narrativa do álbum convence e as composições são de um cuidado e delicadeza ímpares. Críticos definem o Cry Baby como um dos álbuns mais ambiciosos de 2015 e de fato, o que se tem é uma Melanie certa do que quer: mostrar ao mundo a sua bagagem artística através de um alter ego que constitui um enredo brilhante. Pela diversidade de temas abordados, esse álbum me impressionou de todas as formas. Melanie entrou para o meu hall de cantoras favoritas e, sem o menor medo, digo que, se não fosse o primeiro lugar dessa lista, seu Cry Baby seria o melhor álbum de 2015.
DESTACO: Soap, Mad Hatter, Mrs. Potato Head, Dollhouse, Alphabet Boy

1 - Adele - 25: A volta da deusa abalou as estruturas do mundo inteiro, não só da música. Ninguém estava preparado quando surgiu aquele vídeo com um trecho de "Hello", do nada. Em seguida, tivemos o lançamento da faixa e clipe que destruíram todas as carreiras de quem se atreveu a desafiá-la. Um milhão de cópias vendidas só do single em uma semana. A espera pelo 25 foi torturante. Quando o álbum saiu, eu me deparei com uma Adele revigorada. Não diferente da que se apresentou ao mundo com o 19 ou que se solidificou com o 21. Uma Adele nova. Que construiu um hinário que não tem pra quem possa. Que vendeu oito milhões de cópias em pouco mais de duas semanas. Foi definitivamente o boom de 2015. É possível sentir em cada composição que Adele dialoga com a música e com a gente numa harmonia impecável, que arrepia a cada música e foi exatamente isso que milhões de pessoas ao redor do mundo, como eu, sentiram ao ouvir cada faixa desse hinário. O 25 é incrível. A Adele é incrível. E é por isso que, em 2015, foi a melhor coisa que chegou aos meus ouvidos.
DESTACO: tudo. Mas pra não fugir do padrão das demais, Water Under The Bridge, Send My Love (To Your New Lover), Love In The Dark, Hello

E vocês? O que ouviram de bom em 2015 que não está na lista? Conta pra mim!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Controvérsias


"Oh dear diary, I met a boy
He made my dull heart light up with joy." 
(Marina and the Diamonds - Bubblegum Bitch)



E foi isso mesmo que aconteceu.
Com o bônus de que eu não provocava e talvez nem vá provocar o mesmo nele.
Estive pensando no quão eu já mudei de uns tempos pra cá. Mais exatamente desde 2012, quando tive uma das desilusões mais brutais com o amor. Aprendi a ser um pouco mais resistente com relação a sentimentos - o que de certa forma também me deixou mais frio. E isso aconteceu em todos os níveis afetivos: amizades, paixões, amores. Foi uma necessidade de se fechar além do que eu imaginava. E assim passei todos esses anos, meses, dias: evitando, protegendo a mim mesmo de uma catástrofe que pudesse me desnortear como das outras vezes, nas quais eu não me sentia de outra forma se não como um nada.
Mas aí a vida prega peças na gente. Peças que nem sempre tem graça. Ou que não tem a menor graça.
Tentei escapar, confesso, tentei mesmo. Resisti. Fiz objeção. Relutei. E dei o primeiro passo. 
Não sei bem o porquê. Mas dei.
(in)Felizmente, fui imediatamente (cor)respondido.
"He made my dull heart light up with joy", como diz a Marina and the Diamonds. Sem fazer a menor ideia de que estava causando tamanha sensação intensa e arrebatadora dentro de mim.
Overdoses de "ois", "bom dias" e "como você tá" me extasiaram por semanas. Nas ausências, a dor era inevitável.
Ser fortemente ignorado por vezes não me parecia tão ruim. Muito pelo contrário, sentia até que era como se eu precisasse daquela distância a fim de que sentisse a saudade gostosa, de saber que está distante de alguém que uma hora ou outra vai estar perto de mim.
Porém, uma hora começa a doer. E a doer forte, uma dor tão forte ocasionada pela confusão dentro de mim que eu já não sabia controlar. Eu só queria poder gritar, ser sincero, abrir o jogo sobre os meus reais sentimentos antes que eu enlouquecesse.
Foi essa dor que me despertou de um transe.
O transe que me fez parecer o adolescente de alguns anos atrás.
Agindo como um moleque. Um menino que não tinha coordenação dos próprios sentimentos (pois a resistência não era criada em vão. Eu havia aprendido a lidar com o que eu sentia).
Acordei. 
Após uma semi-devastadora verdade.
A recíproca era verdadeira. Mas não tão verdadeira assim. Era uma recíproca parcial, que me satisfazia plenamente com um centímetro de coisas perto do que eu fazia.
Acordei fortemente do transe.
Lutei contra as minhas próprias insistências sentimentais até que vi. Olhei. Percebi. Constatei. Contemplei a espetacularização do meu eu-lírico amoroso sendo despedaçado ao notá-lo próximo a outro. 
E doeu. Assim como dói acordar todas as manhãs para estudar ou para trabalhar.
Assim como a dor de bater o dedo mindinho no pé da mesa da cozinha.
Assim como a dor lancinante de sofrer uma queda no meio da rua.
Era só mais uma dor.
A dor que eu, (in)felizmente, já tinha me habituado a sentir.
E a, felizmente, superar.
A ele, deixo a consideração e a felicidade de alguém que, de um jeito ou de outro, soube se manter firme depois de uma onda grande de instabilidade emocional.
E dois versos, que significam muito - tanto quanto cada palavra deste texto:

"You still mean everything to me
But I want to be free."
(Marina and the Diamonds - I'm a Ruin)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Tchau, 2014! Vem, 2015!

Viagem para outro país: confere.
Viagem para outro estado: confere.
Apresentação de trabalhos em congressos: confere.
Aceitação de trabalhos em congressos internacionais: confere.
Amizades fortalecidas: confere.
Amizades estremecidas: confere muito.
Paixões platônicas: não confere.
Paixões meio platônicas: confere muito.
Paixões realizadas: hmmmm, confere.
Amores vividos: não confere.
Amores parcialmente vividos: errrrr... confere.
Férias: confere, pela primeira vez em muito tempo.
Dedicação à escrita: confere, pouco, mas confere (passei a me dedicar ao extrarrede).
Ouvir música: confere MUITO. Minha melhor amiga.
Assistir a filmes: confere bastante. Mais do que em todos os anos da minha vida juntos.
Estar perto da família: confere pouco, mas confere.
Abrir mão de certas coisas em função de outras: CONFERE MUITO.
Desapego: confere.
Adeus a fantasmas do passado: confere.
Saídas: confere.
Começo da docência em francês: confere.
Francês: confere muito, extremamente, bastante. Amo. Minha vida inteira resumida num idioma.
Novas pessoas: confere.
Novas experiências: confere.
Um novo Tiêgo: confere. Muito.
Mudei, cresci, amadureci e acho que nunca me senti tão adulto antes. Meu ano foi tão incrível que tudo que eu escrevesse seria pouco perto da gratidão que sinto a 2014 por ter me brindado com as glórias vividas. Desejo a todos os vocês um 2015 cheio de coisas boas, experiências novas, pessoas novas, amores novos ou velhos, já que amor é amor, amizades novas, viagens e muita, muita emoção para chegar no dia 31 de dezembro de 2015, daqui a exatamente um ano, e poder dizer: eu vivi. De verdade. Exatamente como estou fazendo agora: eu vivi 2014. Não sobrevivi a ele. E estou muito, MUITO feliz por poder dizer isso de peito aberto e do fundo do meu coração. Amei 2014, mas tenho tudo para amar ainda mais 2015: o ano da minha formatura, o ano em que vou ter que aprender a me virar sozinho, o ano em que vou defender trabalhos acadêmicos fora do meu estado, enfim! Sinto pelo ano maravilhoso que está indo, mas já estou ansioso e na expectativa para um 2015 cheio de coisas boas novamente!

Com tudo isso, me resta desejar um feliz ano novo para vocês todos e que suas vidas sejam regadas a um monte de coisas boas! Até breve!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Os melhores álbuns de 2014

Esse ano acho que a música nunca foi tão minha amiga. Por isso eu ouvi TANTA coisa e que me ajudou em tantos momentos que achei digno listar aqui para que meus fiéis (1) leitores vejam e que Deus o livre (como diz meu professor de literatura portuguesa) ouçam. Enjoy it!

Melhores álbuns do ano:


  1. Tove Lo – Queen of the Clouds (por ter um conceito TÃO lindo e por ter me suportado nas mais diversas horas. Já é dona do meu coração! Melhor álbum de 2014 DISPARADO, nada se compara a essa obra prima dos céus! A cada interlúdio com aquelas frases de efeito, a cada mudança de fase do álbum, a cada batida, a cada nota meus batimentos cardíacos aceleram. Não tem mais o que dizer, é a musa de 2014. Já tá no ladinho da Ellie nos meus prediletos. - Destaco: Habits (Stay High), Timebomb, Not on Drugs)
  2. Sia – 1000 Forms of Fear (por ter nos concedido um álbum inteiros de hinos e que nos tocam de alguma forma. E por ter me feito querer uma peruca loira. - Destaco: Chandelier, Fire Meet Gasoline, Free The Animal.)
  3. Sam Smith – In The Lonely Hour (por ter letras TÃO intensas e fantásticas que me lembraram enormemente o 21 da Adele. MARAVILHOSO. - Destaco: Latch, Restart, I'm Not The Only One.)
  4. Taylor Swift – 1989 (por ter humilhado as inimigas que tanto falaram mal dela. Amo a Taylor desde que ela era jeca e agora o amor tá ainda maior porque nunca vou superar "Out of the Woods". A melhor coisa que me aconteceu nesse fim de ano, acho. - Destaco: Out of the Woods, I Know Places, Blank Space)
  5. Ariana Grande – My Everything (por ser rainha, destruição, musa dos agudos. Love me Harder fez parte de um momento muito especial na minha vida em 2014 que eu entro em detalhes na minha retrospectiva. Arianinha só falta mudar o cabelo pro amor reinar. - Destaco: Love me Harder, My Everything, Just a Little Bit of Your Heart, Bang Bang.)
  6. Lykke Li – I Never Learn (por ter me tocado a alma com cada alma desse cd que finaliza a trilogia que começou com o Youth Novels. Amo/sou COMPLETAMENTE esse cd. - Destaco: No Rest for The Wicked, Gunshot, Sleeping Alone)
  7. Jessie J – Sweet Talker (por mostrar um amadurecimento espetacular da Jessie J do anterior pra cá. Esse CD em especial me fez pensar sobre muitas coisas e se tem uma coisa que eu admiro na música é esse poder de persuasão incontestável que certas produções comportam. É o caso de Sweet Talker. - Destaco: Loud, Masterpiece, Said Too Much)
  8. Nick Jonas – Nick Jonas (por ter me mostrado que quebrar a cara de vez em quando faz bem. Eu confesso que só ouvi o disco por causa do boom em torno de alguns atributos que o rapaz andou demonstrando em 2014 mas no final das contas achei MUITO bom. Composições muito boas e uma melodia que fica na cabeça o tempo todo. - Destaco: Jealous, Chains, I Want You, Avalanche)
  9. Young The Giant – Mind Over Matter (por ter sido um dos meus suportes para a saudade enquanto estive na Espanha. Que CD incrível. Não é à toa que é uma das minhas bandas favoritas. - Destaco: Crystallized, Mind Over Matter, Camera.)
  10. Nicki Minaj – The Pinkprint (por ter sido a surpresa do ano! Até agora eu não consigo acreditar que a Nicki tenha nos dado a graça desse álbum no finalzinho de 2014. Estou abismado porque com um single de abertura de trabalhos como 'Anaconda', juro que esperava bem menos. Quebrei a cara mais uma vez, positivamente. - Destaco: The Crying Game, Get on Your Knees, Grand Piano)
  11. Lea Michele – Louder (sem comentários para a Lea porque apesar das críticas, tudo nesse CD me impactou com uma força enorme. Rainha é rainha e ponto final.)
  12. Mø – No Mythologies to Follow (descobri sem querer por conta de um amigo e ADOREI.)
  13. Jessie Ware – Tough Love (Tough Love não sai mais da minha cabeça. E a Jessie empresta os vocais para The Crying Game da Nicki, então mil corações pra essa linda!)
  14. Foxes – Glorious (esse aqui é digno de um pedestal. Holding Onto Heaven é meio que PERFEITA. A Foxes é maravilhosa e não é só por causa daquela outra farofa maravilhosa, Clarity - do feat. com o Zedd)
  15. Cher Lloyd – Sorry, I’m late (outra surpresa! Gostei MUITO de Sirens, ouvi por acaso no rádio - SIM, EU OUÇO RÁDIO ANTES DE DORMIR OK - e o amor ficou. Amo.)
  16. Lana del Rey – Ultraviolence (Essa entrou pelas cotas de arrependimento. Eu criticava MUITO a Lana, mas no fundo sempre amei - cof. cof. - essa rainha. Que delícia Brooklyn Baby e Shades of Cool.)
  17. Ed Sheeran – X (Leia-se "multiply". Esse entrou pelas cotas de amor por ruivos. Mentira, que é porque a voz do Ed me reconforta MUITO, vocês não tem noção. É só eu colocar Thinking Out Loud pra tocar que meu coração fica mais leve. Sou apaixonado por esse cara. Ele é demais.)
  18. Maroon 5 – V (Todo mundo achou mais do mesmo mas eu achei melhor do que Overexposed. Fora que: Feelings >>>>>>>>>>>>>)
  19. Tony Bennett & Lady Gaga – Cheek to Cheek (o baque do ano. JURO. Eu amo a Gaga, não é mistério pra ninguém, mas achei que seria DEVERAS arriscada essa saída dela à francesa - rs - pro Jazz. Ledo engano. Arriscou tão bem que foi indicada ao Grammy. EXCELENTE trabalho dessa dupla. Tony casou perfeitamente com a Gaga nesse álbum que me fez perceber que eu gosto de verdade de Jazz, ainda mais com Anything Goes que eu já amava de outros carnavais. Merece muito o sucesso que fez!)
  20. One Direction – Four (SHUT THE FUCK UP QUEM ME CRITICAR, mas os meninos são bons. Não, na verdade o One Direction é MUITO bom. Eles se reiventam a cada álbum e em Four deu pra perceber um pouquinho mais de maturidade, praticamente o mesmo que percebi em Sweet Talker. Night Changes é INCRÍVEL!)

Menções Honrosas (sem comentários porque senão eu me empolgo):


  1. Ella Henderson – Chapter One
  2. Mary Lambert – Heart on my Sleeve
  3. Kiesza – Sound of a Woman
  4. Azealia Banks – Broke With Expensive Taste
  5. Alex & Sierra – It’s About Us
  6. Olly Murs – Never Been Better
  7. Katy B – Little Red
  8. Iggy Azalea – The New Classic/Reclassified
  9. Charli XCX – Sucker
  10. Christina Perri – Head or Heart

Exceções porque são EPs mas nem por isso deixam de ser maravilhosos (com comentários porque sim) :


  1. Troye Sivan - TRXYE (Troye, meu coração é seu! Que EP maravilhoso! Por que você faz isso comigo e não lança um álbum de uma vez? Não adianta, TODOS OS DIAS eu preciso ouvir Happy Little Pill pra poder me sentir bem. A voz dele me reconforta como ninguém. Tem horas em que eu não preciso ouvir mais nada senão uma boa dose de Gasoline e de Touch pra sonhar - não é por acaso que classificam o Troye também em dream pop. A melhor descoberta masculina de 2014!! Se fosse um álbum certeza que estaria no lugar de Queen Of The Clouds. Muito bom MESMO!)
  2. Melanie Martinez – Dollhouse (Conheci ocasionamente num teaser de American Horror Story e estou A-PAI-XO-NA-DO pela Mel /íntimo. Eu não sei explicar, tem uma magia nas canções dela que me deixam louco! Dollhouse e Carousel dominaram a minha cabeça por semanas! Estou esperando ansioso o début da pequena grande Melanie!)
  3. Meghan Trainor - Title (a música que grudou mais rápido na minha cabeça tem nome e dona: All About That Bass, da Meghan. Os vocais impecáveis com uma letra destruidora me fizeram correr atrás do que ela já tinha feito e fiquei desapontado quando vi que ela só tem um EP lançado. E ao contrário do que muitos imaginavam, ela não tem nem cara de one hit wonder. Vai hitar e muito num futuro bem breve, assim como o Troye e a Melanie. Vida longa a esses lindos que só estão começando!)
E é isso! Quem quiser sugerir, criticar, odiar, amar, coisar, enfim, fique à vontade porque minha casa também é a casa de vocês. Saudades de blogar, vou repetir isso infinitamente! :( Até logo!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Arthur e Pedro

Era uma vez, um menino chamado Pedro.
No auge de seus dezessete anos, Pedro nunca havia tido experiências amorosas, mas sabia perfeitamente que a presença masculina lhe causava arrepios. Nem tanto as de seus colegas da escola, mas as de homens de verdade, aqueles que aparentavam ser mais velhos do que ele. A barba falha que lhe cobria a face mal disfarçava a jovialidade e isso o irritava profundamente, pois ele achava que, se continuasse a parecer um moleque, jamais perderia a inocência que tanto lhe tirava o sono.
Pedro vivia no reino mágico e inacreditável da internet. Nesse lugar, ele se sentia livre para ser quem ele bem entendesse - e, por coincidência, ele não sabia quem era. Na verdade, era o que ele mais queria no momento: descobrir o que era, em sua essência. Ele sabia de sua atração por homens, mas ainda assim nutria sentimentos de carinho por meninas e isso o confundia. Por conta disso, ele extravasava todas as suas emoções nas salas virtuais, lugares nos quais Pedro conhecia pessoas de todos os lugares do mundo sem sair da frente do computador. Todos os dias, o rapaz se transformava em vários: José, Mário, Luís, Alberto. A cada clique de entrada nas salas virtuais, Pedro era um. E eles eram Pedro, que não parecia em nada com nenhum deles. José era alto e esbelto; Mário era moreno e dono de um restaurante; Luís era funcionário público e tinha feições de meia-idade; Alberto era o mais parecido: estudante de psicologia, trabalhava numa sorveteria e era baixo, porém sarado. Pedro era médio, nem alto nem baixo, tinha os olhos escuros e os cabelos lisos, igualmente negros. Magricela, tinha uma resistência enorme para comer. Era um pesadelo para os pais nos horários das refeições. Porém, naquele lugar extremamente acolhedor, ele não era nada disso. Ele era quem ele queria ser.
Até conhecer Arthur.
Num belo dia, Pedro pausou seus olhos numa sala cujo título era "Para Estranhos". Movido pela curiosidade, o rapaz solicitou entrada com a identidade de Luís e viu que só existiam dois usuários ativos ali: o MegaMike e o Carousel35. Já ciente de que números eram uma válvula de escape para as idades, Pedro se interessou imediatamente por Carousel35. Disse um "oi" tímido para todos e Carousel35 respondeu reservadamente para ele um "Oi, Luís". A conversa seguiu:
"E então, Luís que não esconde o nome, o que você procura numa sala com o nome tão pouco sugestivo?"
"Curiosidade, eu acho. Por que você está só aqui?"
"Mega também aparece por aqui de vez em quando. Ele é legal, só é um pouco carente."
"Ah, como eu. Prazer."
"Mais carente do que eu você não é, Luís. Hehe..."
"Eu acho que ter 29 anos e não ter ninguém é meio triste, Carousel..."
"Eu acho que ter 35 anos e não ter ninguém é mais triste, Luís..."
Pausa.
"Acho que temos dilemas em comum, Carousel."
"Acho o mesmo."
Pedro não soube mais o que falar. Ele sabia que estava se arriscando, que não era Luís, que não tinha 29 anos, que não era funcionário público e que não tinha feições de meia-idade. Pensou por um momento em largar a sala, mas ele viu a última mensagem de Carousel35 e voltou atrás.
"Você é interessante. Pessoas interessantes me atraem enormemente."
Pedro se excitou.
"Eu só acredito que você existe se você ligar sua webcam e me mostrar o seu rosto."
"Você duvida?"
O aviso "Carousel35 conectou a webcam" surgiu no chat. Pedro gelou, pois nunca havia conversado por alguém dessa maneira.
Carousel35 surgiu na tela e, para a surpresa de Pedro, ele era bastante bonito. Cabelos grisalhos, pele clara, olhos negros como os do rapaz, barba por fazer, usava óculos de grau e estava sem camisa. Ele não tinha definições, mas não era gordo. Era exatamente o que Pedro procurava.
"E então, eu não existo?"
"E como existe!", digitou Pedro, com um sorriso no rosto.
"Antes que você continue a me chamar de Carousel, prazer. Arthur."
Carousel35, ou Arthur, preferiu não falar no microfone da webcam. Ele continuou digitando na tela do chat.
"Agora é a sua vez, Luís."
Pedro gelou mais uma vez, apavorado. Decidiu de supetão contar a verdade, antes que tudo virasse uma bola de neve. O máximo que poderia acontecer era o Arthur sumir dali, então que fosse feito:
"Bem, Arthur..."
"Eu acho que conheço esse discurso. Você não é quem você disse ser, certo?"
"Exato", admitiu Pedro, abismado com a perspicácia do homem.
"Bem, então me resta ver você para comparar o quão distante você está da realidade que criou. E não se preocupe, não estou chateado."
Pedro enxergou um pouco de esperança. Ligou a webcam, muito nervoso. Arrumou os cabelos em frente ao espelho, passou a mão no rosto e conectou a câmera ao chat. A espera até carregar a imagem foi mais dolorosa do que esperava. Quando a sua imagem surgiu na tela, Arthur sorriu.
"Você é lindo. Por que essa mentira toda?"
"Sério que você achou isso? Ah, eu menti porque eu tinha medo das reações dos outros caras sobre mim."
"Pensa em você mesmo antes de pensar na opinião dos outros, Luís."
"Pedro, desculpa. É Pedro."
"Tá vendo só? Tanto o nome quanto o dono dele são lindos!"
Pedro ficou vermelho.
"Obrigado."
"Olha, Pedro, eu me sentiria mais à vontade se a gente conversasse num outro local. Você topa?"
Pedro nem pestanejou:
"Claro, Arthur! Você sugere o quê?"
"Você tem celular? Posso te mandar um sms?"
"Com certeza!"
E assim os dois começaram a trocar mensagens, depois ligações e depois todos aqueles contatos cibernéticos e reais que a nós já conhecemos. Isso tudo culminou num relacionamento que já dura três anos e três meses, mas que agora não depende mais tanto dessas surrealidades da internet. Ainda bem.